segunda-feira, 18 de abril de 2016

[RESENHA] PROIBIDO – TABITHA SUZUMA

Por Ingrid Cristina

Oi pessoal! Como vão todos? Espero que muito bem. Hoje trago a vocês um livro que é perigosamente bom e que aborda um assunto que é tabu na nossa sociedade. Antes de você continuar lendo essa resenha, aconselho que abra o coração e a mente para a ideia desse livro; dispa-se dos pré-julgamentos e

vamos juntos olhar o outro lado da moeda.


Proibido foi escrito por Tabitha Suzuma e foi publicado aqui no Brasil no ano de 2014, pela Editora Valentina. O livro possui 302 páginas, divididas em 26 capítulos e epílogo. Os capítulos são apresentados de forma intercalada, apresentando tanto a visão de Lochan como a de Maya, os protagonistas da estória.
  
Confira a sinopse:
Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de
uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.
Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.
Eles são irmão e irmã.
Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

A editora Valentina caprichou muito na diagramação do livro. Começando com essa capa incrivelmente linda e que tem tudo a ver com a estória, a editora usou de uma delicadeza ímpar ao colocar detalhes no início de cada capítulo e no cabeçalho das páginas. As páginas são na cor amarelada que proporciona conforto visual para uma boa leitura. Além, é claro, do espaçamento, da margem e do tamanho da fonte estarem ideais.



Lochan é um jovem de 17 anos, muito inteligente e dono de uma aparência que chama atenção de muitas meninas em sua escola. Seus cabelos negros caídos sobre os olhos verdes atraem uma atenção indesejada para si. Muito embora seja o mais inteligente de sua sala, sempre tirando as melhores notas, Lochie tem uma dificuldade implacável de se relacionar com pessoas que não pertencem a sua família. Isso faz com que ele não tenha amigos nenhum na escola, passando seus horários de almoço sozinho numa escada afastada. Sua timidez é tamanha que já lhe rendeu ataques de pânico ao ter que falar para a turma. O que nenhum de seus colegas sabem é que Lochan é um jovem extremamente doce, amável, responsável e delicado.

Desde que seu pai abandonou a família, ele tem sido o homem da casa, e não meramente no sentido figurado da expressão. De fato Lochan carrega sobre si a responsabilidade de cuidar de sua família, já que sua mãe é inconsequente e extremamente ausente do dia-a-dia de sua casa. Lochie tem que cuidar da casa; dos três irmãos mais novos; cuidar das despesas; colocar as crianças para escola e monitorá-los no dever de casa; cuidar das louças e ainda tem que dar conta de seus estudos. Uma responsabilidade que adolescente nenhum deveria ter. Isso o tem desgastado pouco a pouco, o impedindo de ter uma adolescência normal.

O único alívio que Lochie recebe é a certeza de que não está sozinho nessa, ele tem a Maya. Sua doce e linda irmã mais nova, que com ele divide essa dura tarefa de serem pais de seus irmãos. Maya é 13 meses mais nova que Lochie e juntamente com ele cria Tiffin, Willa e Kit. Assim como Lochie, ela tem a certeza que todo o esforço e a dificuldade que passam valem a pena para manter sua família unida. Maya é uma moça linda, delicada, sensível, madura, esperançosa e que está disposta a tudo para oferecer o mínimo de felicidade possível àquele que não aprendeu a ver como irmão, mas sim como um amigo, um companheiro das duras penas que enfrenta por ter uma mãe tão irresponsável e relapsa.

“O ser humano precisa de um fluxo constante de nutrição, oxigênio e amor. Sem Maya, eu perco os três; separados, morreríamos lentamente.” (Pág. 150)


Ao passo em que eles vão tentando não se afogar nesse mar de responsabilidade, cansaço, exaustão e preocupação, eles vão se tornando um para o outro um ponto de equilíbrio e conforto. Maya é tão importante para Lochie como o ar que ele respira e ele é tão importante para ela como as batidas de seu coração. Dessa relação de cumplicidade e ternura nasce um amor frágil, delicado e tímido, que ao poucos vai se tornando uma ligação fortíssima entre eles. Amor esse que os faz continuar, persistir, lutar e acreditar em dias melhores.

Foi muito difícil para eu fazer a resenha desse livro. E embora o seu final tenha feito um reboliço com os meus sentimentos, eu fiquei muito contente em ter realizado essa leitura. Ao saber que o livro fazia menção ao incesto, a primeira reação que eu tive foi um revirar no estômago; até porque a sociedade nos ensina desde muito cedo a ver essa relação como erro e crime. Mas ao me deparar com a estória de Maya e Lochie, aos poucos fui deixando minhas armaduras caírem por terra e me vi envolvida com a trama.

Tabitha conduz com tanta sabedoria e delicadeza o assunto que se tornou impossível para mim não torcer pelo amor deles. O sentimento deles não é algo premeditado, já pensado. Não! É algo que vai surgindo aos poucos, de uma forma tão ingênua e inocente que me faço a mesma pergunta de Lochan:

“Como uma coisa tão errada pode parecer tão certa?” (Pág. 131)


É claro que eu, Ingrid Cristina, não estou preparada para esse tipo de desconstrução familiar, mas de maneira alguma o amor deles me incomodou. Fiquei o tempo todo torcendo muito para que eles dessem certo. Mas eu acredito muito que as situações vividas por cada um nós vão transformando nossa maneira de ver as coisas, de encarar os acontecimentos que vão se desenrolando bem à nossa frente. E o que eu quero dizer com isso? Talvez eu, do lado de cá, não consiga imaginar como é viver numa realidade como a de Maya e Lochan, mas com certeza se eu estivesse passado por tudo que eles passaram, o pensamento seria diferente e esse amor seria para mim a coisa mais certa do mundo.

E creio que essa seja a intenção de Tabitha, fazer com que saiamos da nossa zona de conforto e saibamos olhar a situação como um todo e não só os fragmentos dela, não só a parte que julgamos ser errado. E comungo plenamente desse pensamento de Tabitha trazido pela voz de Lochan:

“Vejo tantas relações superficiais ao meu redor, tantos caras que só estão interessados em sexo, em mais um troféu para a sua coleção de conquistas, antes de passar para a próxima. É difícil de entender por que alguém entra num relacionamento sem qualquer sentimento verdadeiro, substancial, e no entento ninguém os julga por isso. Eles são “jovens”; estão “só se divertindo” e, é claro, se é o que querem, por que não fariam isso? Mas, nesse caso, por que é tão terrível assim que eu fique com a mulher que eu amo? Todo mundo tem o direito de fazer o que quiser, de expressar seu amor como bem entender, sem medo de assédio, ostracismo, perseguição ou mesmo a lei. Até relacionamentos emocionalmente violentos e adúlteros costumam ser tolerados, apesar do mal que causam aos outros. Na nossa sociedade progressiva e permissiva, todos esses tipos de “amor” daninhos e doentios são permitidos – mas não o nosso.” (Pág. 248)

UFA! Bem, galera, é isso. Proibido é vocês deixarem de ler esse livro, ele tem muito para nos ensinar. Lendo-o não quer dizer que você é contra ou a favor de nada; mas, com certeza, que dizer que você é uma pessoa sábia o suficiente para conhecer antes de opinar ou julgar. Nossa sociedade precisa aprender a respeitar a história das pessoas e não apontar o dedo julgando e acho que esse livro irá nos ajudar muito nesse quesito.


Vou ficando por aqui. Um mega beijo no coração de todos e muito obrigada pela paciência e pela companhia. <3

21 comentários:

  1. Oie, sempre ouço falar muito bem desse livro e fico super interessada no enredo. O Insexto é realmente algo um pouco tabu na nossa sociedade mas já li um livro com a temática e ele não me incomodou, como você disse vai da perspectiva do momento e da realidade em que tudo foi ambientado. Creio que esse é um livro emocionante e realmente os personagens mesmo sendo tão novos já carregam várias vidas dos irmãos e responsabilidades. Espero ter a oportunidade de dar uma chance a essa leitura em breve.

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  2. Nossa parece uma história muito forte e dessas que mexem com os ossos conceitos. Gostei da resenha e fiquei bem curiosa de ler!
    beijso

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  3. Esse livro é sensacional, é um daqueles livros que te marcam para sempre. E é como você falou: tem mesmo muito a nos ensinar. Além do mais, tem que começar a ler com a cabeça bem aberta. Adorei a sua resenha, especialmente porque me fez relembrar uma história tão intensa.
    Beijos, Fer ♡♡♡♡

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  4. Olá linda,

    Lembro-me do encontro de fãs desse livro aqui em São Luís/MA e como foi a choradeira para falar dele.
    Não há forma correta de amar...não há culpados nesse enredo. O amor surge e pronto.
    A crítica do livro está na desconstrução do seio familiar desses irmãos e no moralismo da sociedade que atrapalha nos relacionamentos pessoais e interpessoais e muito bem pontuado e apresentado pela autora.

    Chocante e atrevido são os adjetivos que caem como uma luva para Proibido.

    Beijos,
    http://lovereadmybooks.blogspot.com.br/2016/04/resenha-simplesmente-irresistivel.html

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  5. Um dos melhores se não o melhor livro que já li. A Joanice disse que no encontro de fãs teve choradeira, mas não preciso ir longe. Nunca conseguir resenhar esse livro, porque simplesmente caio no choro. ainda tenho o arquivo com o nome dele aqui, mas na hora de digitar, simplesmente não dá.
    A forma como a ela construiu essa estória é surpreendente e em nenhum momento me incomodei com ela. Só queria matar certa pessoa desse livro.

    Bjs,
    Garotas de Papel

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  6. Oi, flor.

    Eu estou morrendo de vontade de ler esse livro. Eu já o tenho a um tempo na minha estante, mas estou me preparando psicologicamente para o baque kkkk Como você disse, a autora quer nos tirar da zona de conforto e pelo que eu li na sua resenha ela fez isso de uma maneira genial. Amei sua resenha ♥

    beijos!
    www.anebee.com.br

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  7. Oie, este livro está nas minhas próximas leituras, embora eu já conheça o enredo do começo ao fim, em função dos milhares de spoilers que comi por aí. Acho que você tem razão quando disse que tem que ler desprovido de julgamentos, porque a desconstrução na nossa mente é muito forte.
    Adorei suas considerações.
    MEU AMOR PELOS LIVROS
    Beijos

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  8. Olá, quando eu soube desse livro tive curiosidade em lê-lo mas logo que vi que envolvia incesto eu desgostei dele. Ao contrário de você, não acredito que a sociedade que nos ensina que isso é crime ou errado, não penso assim. Ao meu ponto de vista o amor entre irmãos deve ser puro e não lascivo, não consigo entender como dois irmãos podem se desejar, chega a ser nojento. Não sou uma pessoa preconceituosa, cada um faz da sua vida o que quiser, inclusive tenho amigos homossexuais e que gosto muito, mas entre irmãos? não rola, não vou julgar os casais que passam por isso, mas daí eu pegar um livro sobre isso para ler, está fora de cogitação.

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  9. Olá!
    Esse livro me destruiu em todos os sentidos. É justamente isso que você disse, nós, que estamos de fora, não conseguimos entender o valor que o amor tinha para o Lochie e a Maya naquela situação. Talvez, se estivéssemos no mesmo lugar, pensaríamos diferente.
    Em momento nenhum, durante essa leitura, pensei que o amor deles era errado.
    É uma leitura recomendadíssima. Parabéns pela resenha!
    Beijos,
    Um Oceano de Histórias

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  10. Nossa, muito legal o que você falou sobre a desconstrução familiar porque é realmente isto que me impactou. Não pela questão da desconstrução mas como somos criados por esta questão. Eu fiquei em choque em ver esta história e nem quero ler o livro porque ficaria muito apavorada, mas a autora realmente quis mostrar um novo ângulo!

    Beijos,

    Greice Negrini

    Blogando Livros
    www.amigasemulheres.com

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  11. Eu li Proibido ainda quando não tinha lançado aqui no Brasil e uma menina fez uma tradução amadora, lembro que apesar do tema polemico amei a história- mesmo ela terminando de forma trágica. Ano passado eu consegui minha tão sonhada versão física do livro e por incrível que pareça, não tive coragem de reler. Não por achar que a história é abominável, pelo contrário, a autora fez uma trama tão delicada que confesso não estar preparada para aquele final. Não lembro muito dos detalhes, mais posso dizer que Proibido é um livro INDISPENSÁVEL e isso acontece justamente por ele nos tirar da zona de conforto, por ele nos fazer olhar um lado que parece impensável para a sociedade. Espero que um dia eu tenha a coragem de reler.

    Beijos
    Vento Literário / No Facebook / No Twitter

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  12. Oie!
    Acredita que eu não gostei desse livro? Eu cheguei a ler, mas sabe quando a trama não te encanta e não prende a atenção? Foi isso que aconteceu durante a leitura do livro. Eu até tentei, mas terminei o livro sem gostar dos personagens ou da trama :(
    Bjks!
    Histórias sem Fim

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  13. Gostei bastante da sua resenha, apensar de não gostar muito de romances, o que você descreveu do livro até me chamou atenção!
    Abraçooo

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  14. Oi linda... Que livro em!! Se a resenha me prendeu até o final,imagina o livro. Gosto de enredos que "nos tiram da zona de conforto"... Que nos fazem pensar e analisar nossos conceitos. Com certeza fiquei muito curiosa para ler esse livro. Beijão 😘

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  15. Oiee ^^
    Esse livro me ensinou tanto ♥ quando comecei a leitura, achei que não conseguiria levá-la adiante por conta do tema, mas eu me apaixonei completamente pelos personagens e pela história, de forma que eu torcia para que tudo desse certo, e para que eles não fossem irmãos de verdade. Foi uma grande surpresa para mim, e também um tapa na cara...hehe' confesso que era um pouquinho preconceituosa com histórias de incesto, mas agora as acho interessantes.
    MilkMilks
    http://shakedepalavras.blogspot.com.br

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  16. Já vi muitos elogios a esse livro e muitos falarem que eu deveria ler o livro pois ele é destruidor, mas já vi gente que não conseguiu engolir a história e deu argumentos que eu senti que ia ocorrer o mesmo comigo, pois isso não é uma leitura que eu faria.

    Gostei do que você tirou da proposta principal da autora, fugir da zona de conforto e tentar entender a realidade dos protagonistas.

    http://deiumjeito.blogspot.com.br/

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  17. Eu já li algumas resenhas sobre essa obra, e toda vez fico comovida com o drama desses jovens, que são quase crianças e já possuem uma carga tão grande nas costas. Parece ser uma história bastante comovente e polêmica, pois mexe em um dos maiores tabus da sociedade atual. A premissa é muito boa.

    Tatiana

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  18. Engraçado, pois as reações são sempre iguais.
    A primeira vista, pensamos em não ler o livro, mas ao fazê-lo temos uma outra visão desse romance proibido.
    Em momento algum me senti desconfortável e acho que é justamente por isso que o livro fez tanto sucesso.
    Fico feliz que você tenha gostado da leitura.
    Adorei a resenha.
    Beijinhos
    Rizia - Livroterapias

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  19. Olá

    Realizei a leitura desse livro há um tempo atras e mesmo indo com a cabeça bem aberta não consegui entrar e comprar a estória. Acho que a questão não é nem respeitar as escolhas e sim que é improprio mesmo e visto que até a ciência fala que filhos gerados de irmãos nascem com deficiências. Posso ser quadrada mas não aproveitei nada da estória.

    Bjos
    http://rillismo.blogspot.com.br/

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  20. Oi Ingrid,
    Proibido é um dos meus livros favoritos e eu me senti assim como você, na verdade essa história me marcou profundamente e eu realmente não entendo as razões das pessoas que usam religião pra justificar um preconceito quando a autora nos deu todo um contexto para analisar. Pior ainda os que se valem da ciência "pra alegar que os filhos nasceriam com defeito" Gente dá pra amar sem se reproduzir, ninguém é obrigado a ter filho.
    Enfim amei a leitura, e curti demais a tua resenha, Beijos

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  21. Oi!
    Eu morro de vontade (e medo) de ler esse livro, principalmente por ele ser bem forte e ter essa temática para quebrar nossos paradigmas, fazer a gente pensar o que é certo e o que é errado.
    É um livro que com certeza fariam as pessoas serem menos amargas e críticas, se entendessem melhor toda a forma de amor possível no mundo, é algo que tem que ser bem trabalhado ainda na sociedade, pois como a colega de cima disse, dá para amar sem se reproduzir, e isso nunca deve servir de desculpa para barrarem esse tipo de amor

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Beijo!