segunda-feira, 19 de junho de 2017

[Resenha] Wayne de Gotham - Tracy Hickman


Olá, queridos companheiros de viagem! Todos bem? Espero que estejam ótimos!
Convido a todos a se acomodarem em seus lugares, apertarem os cintos e aproveitarem a viagem. Próxima parada: Gotham City, a cidade do crime.

Antes de dizer qualquer coisa sobre esse livro, gostaria de lembrá-los de algumas características do nosso Cavaleiro das Trevas. Devido ao fato de ter visto seus pais serem assassinos em sua frente quando era criança, Bruce Wayne se torna uma pessoa melancólica e completamente presa ao seu passado. É engraçado perceber como ele é muito mais Batman do que Bruce, é como se sua identidade verdadeira tivesse estagnado naquele fatídico dia e só quando assume o alter ego de Batman, encontra seu verdadeiro eu novamente. Mesmo quando não está vestido de Batman, ele é o Batman, que vez ou outra assume o alter ego de Bruce Wayne. Conseguem me entender? 


Por que estou dizendo isso? Porque é exatamente essa imagem que temos do herói nessa trama. Aqui nos deparamos com um Bruce que cultivou, após ter se cansado de sua vida como ícone e celebridade de Gotham, a imagem de recluso, solitário e, até mesmo, louco perante à mídia e à sociedade. O príncipe bilionário e amargurado de Gotham City. Temos um Batman que já sente o peso da idade, dependendo cada vez mais de seus equipamentos sofisticados para combater o crime. 

"Gotham era uma noite que não tinha fim. Gotham era uma chuva que nunca limpava, nunca sarava. Gotham era sujeira, decadência e apodrecimento crescentes, uma doença para qual apenas ele era a cura; apenas ele estava entre o grande abismo e a justiça para aqueles que chamavam as trevas de lar. As trevas são Gotham. Trevas são o meu mundo."


Neste enredo, Batman é envolvido numa trama que o leva diretamente para o passado de seus pais, fazendo com que ele se questione o quanto realmente os conhecia. Há um esquema sendo desenvolvido e comandado por alguém que ele não conhece, mas que está remontando exatamente tudo que aconteceu no ano de 1953. Muitos dos envolvidos escapam dos conhecimentos do nosso herói, fazendo com que tudo fique ainda mais misterioso e perigoso. 

A grande sacada deste livro é trabalhar o lado pessoal e emocional de Bruce Wayne e quem o conhece bem, sabe que isso é uma grande coisa. Acompanhamos algumas cenas do seu dia-a-dia e temos algumas descrições detalhadas de seus equipamentos, como: o batmóvel, a batroupa e, até mesmo, a batcaverna. Aqui também é explorada a relação entre ele e seu leal mordomo, Alfred Pennyworth, que parece conhecer mais sobre o passado do jovem Bruce do que ele mesmo.

Na corrida louca para descobrir quem está por detrás de tal armação, nosso protagonista é confrontado pelo passado de Thomas e Martha Wayne, fazendo ele se questionar se os seus pais de fato eram tão honestos e íntegros quanto Bruce acreditava que eles eram. 

"Thomas e Martha Wayne sempre foram estátuas de mármore, o ideal de perfeição e modelo de todas as virtudes. Mas agora ele estava sendo confrontado com a dura realidade do passado deles, que naquele momento, relutava em conhecer." 

O autor também nos mostra, com pequenos relatos, como era a relação entre Thomas Wayne e seu pai, Patrick, que era um homem extremamente rígido, grosseiro, intimidador, autoritário e arrogante, que sempre cobrou nada menos que a perfeição de Thomas. Isso, certamente, os levou a brigar rotineiramente, com o Wayne mais jovem sempre levando a desvantagem. 

"Só há dois tipos de pessoas neste mundo: os caçadores e os caçados, e é bom você decidir imediatamente que irá caçar!"

Quem também dá o ar da graça nessa trama são os conhecidos vilões do Batman, com um destaque especial para a Harley Quinn e o Coringa, que desempenham um papel consideravelmente importante na trama. E não posso me esquecer, é claro, do comissário James Gordon. 

Os capítulos intercalam entre o presente e o passado e, assim, vemos o antes e o agora de mãos dadas contando a história que um dia levou Bruce Wayne a se tornar Batman, o Cavaleiro das Trevas. Aqui temos a oportunidade de entender alguns elementos importantes que o alçaram para esse destino e é muito curioso acompanhar isso.

Embora eu tenha gostado muito do livro, tudo que envolve o Batman me atrai muito, eu senti falta de ação. Muitas cenas de luta e tensão são narradas, mas eu não consegui sentir aquele pico de adrenalina, sabe? Nada foi como se tivéssemos alcançado o topo da montanha-russa que é a vida desse herói. Acho que o autor pecou nessa parte em sua narrativa, não transmitiu toda aquela emoção eufórica que é a vida do protetor de Gotham. Mas tirando essa ressalva, a leitura foi muito proveitosa para mim. 

"Nós escolhemos nosso destino ou nosso destino nos escolhe? Seja como for, agora a escolha foi feita." 

Bem, pessoal, é isso aí! Espero que tenham gostado da resenha e que possam se aventurar por essa montanha-russa emocional que é a vida de Bruce Wayne. Um beijo no coração de todos e até a próxima. <3

Nota no Skoob: 4/5

Outras informações:

Ano: 2013
Páginas: 270
Editora: Leya
Sinopse: Por trás de toda máscara existe um homem de verdade. Ainda criança, Bruce Wayne testemunha o assassinato dos pais – e o mistério sobre o motivo o impulsiona a fazer uma busca pelo seu passado. É quando descobre um diário secreto de seu pai Thomas, um médico rebelde que parece finalmente revelar o seu lado obscuro. Sua identidade é seriamente abalada quando um convidado levanta, inesperadamente, questões sobre o evento que acabou com a vida de sua amada mãe e seu admirável pai – caso que provocou para sempre sua vontade insaciável de proteção e vingança. Para descobrir a história real da família, Batman precisa confrontar o antigo inimigo, como o perverso Coringa, seu próprio mordomo Alfred, além do passado que assombra o Asilo Arkham, para assumir o novo fardo de um legado sombrio. Muito mais próximo dos filmes de Burton e Christopher Nolan e das HQs de Frank Miller do que dos seriados de TV dos anos 1960. Um olhar imaginativo sobre o lado humano do icônico super-herói criado por Bob Kane. TRACY R. HICKMAN é um autor mais conhecido por seu trabalho com Margaret Weis em "Dragonlance". Também escreveu a trilogia Darksword, o Death Gate Cycle, e a trilogia Sovereign Stone e atuou como designer de RPG's para a TSR, Inc.

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