segunda-feira, 2 de outubro de 2017

[Entrevista] De frente com a Cris - Elias Flamel


Olá, meus queridos companheiros de sempre! Todo mundo bem? Espero que estejam ótimos!

Para começar as atividades setembrinas aqui no blog, resolvi trazer essa super novidade: TEMOS UM NOVO PARCEIRO. É isso mesmo, Elias Flamel (sim, gente, ele é tatatatatataraneto do Nicolau Flamel, detentor da Pedra Filosofal.) acaba de se tornar o mais novo passageiro da Plataforma 9 3/4. Flamel, querido, seja bem-vindo!


É sempre um prazer inenarrável poder divulgar a literatura nacional, faço questão de estender um tapete vermelho para vocês, escritores brasileiros e iniciantes, aqui no meu blog. Elias Flamel (gravem este nome) nos presenteia com o "Os Cinco do Ciclo", um livro com uma premissa interessantíssima e adorável. Mas antes de lhes trazer a resenha, trago esta entrevista linda com o autor, dando a conhecer essa pessoa incrível que ele é. Confiram!

1 - Conte-nos um pouco sobre você. Quais são seus medos, manias de escritor, suas preferências... Abra o seu coração. Rsrs
Sou inseguro, cheio de ideias na cabeça e tento absorver tudo ao meu redor. A ansiedade sempre me trava e nunca me empurra. Às vezes imagino como seria a vida sem ela, mas acredito que essa chata já faz parte da minha personalidade. A respeito de manias, tenho uma prateleira cheia delas. Caso você vá até o YouTube e digite Alpha Waves, descobrirá o que me mantém concentrado. Escutar este som tornou-se mais que um vício, hoje em dia ele é parte do meu processo de escrita. Agora vou contar umas esquisitices mais bobinhas: Só escrevo as minhas ideias em bloco de notas e jamais em Word, um dia produtivo sempre deve ter uma boa caminhada, nunca leio dois livros seguidos do mesmo autor e não suporto quando uma frase tem mais que um "que". Por enquanto tenho essas e sei que outras surgirão.
No caminho da escrita o medo sempre esteve próximo e tem o costume de assumir diversas formas. Já tive medo de não gostarem do meu texto, e conforme o tempo passou percebi que é impossível agradar a todos. Como qualquer escritor tive pavor de não ser lido, não ser publicado. Por muito tempo tive certeza que esse receio jamais deixaria de existir, mas conforme fui conhecendo o mercado, a quantidade de editoras pequenas (tamanho muitas vezes não está aliado a qualidade) e a Amazon, esse sentimento diminuiu.
O medo envelheceu, tornou-se mais sábio e aprendeu que para me assustar basta apontar para a realidade. Hoje temo estar sonhando demais. Um dia posso acordar sem dinheiro no bolso, sem nada construído e perguntando se poderia ter tentando algo diferente.
Sobre preferências é fácil responder. Amo a fantasia e a época medieval, onde a nobreza no coração dos heróis e dos reis em seus castelos é tão evidenciada. A magia, esse ato de transformar e brincar com as regras do mundo me fascina.
Tenho dificuldade com as histórias curtas e odeio limite de caracteres. Gosto de trabalhar com personagens fracos que são colocados em situações extremas. Minhas descrições não são nada contidas e os meus textos sempre tem muitos diálogos, com pouca interrupção do narrador. E para finalizar serei polêmico: Acredito que um final simples e feliz é muito cômodo para o escritor, ele deve instigar e provocar questionamentos no leitor.

2 - Onde você buscou inspiração para escrever “Os Cinco do Ciclo”? Usou algum autor ou alguma obra em específico?
A admiração pelos mitos foi o início de tudo. As obras de Homero, os homens tendo contado com deuses tão falhos influenciaram as minhas ideias e delas nasceram os primeiros esboços do meu livro. Fui consumindo mitologias, encontrei as lendas e As Brumas de Avalon com as suas fogueiras, danças e veneração a Deusa me impactaram. Esse mito meio Celta vive na minha mente. Nunca esquecerei do ritual do Gamo e tive vontade de fazer algo parecido. Todas essas referências alimentavam a minha criatividade em relação a cenários, mas faltava algo para construir um enredo. Tenho tanto para agradecer à Destino, Ele que colocou duas obras em minha pilha de leitura e o conceito delas formaram o alicerce para Os Cinco do Ciclo. Elas são: Deuses Americanos e O Homem do Castelo Alto. Só posso dizer o nome das obras, caso forneça mais explicações posso acabar dando um Spoiler.

 3 - Quando era criança, ou mesmo adolescente, costumava ler muito? Se sim, qual foi o seu primeiro livro?
Comecei a ler tarde, nunca tive ninguém que me falasse "Os livros são uma fonte de diversão". Na escola a leitura era uma obrigação e fui vítima do famoso incentivo a leitura "Leia este clássico porque cairá no vestibular". Independente disto, teve um livro na minha infância que eu guardo no meu coração com muito carinho. Trata-se do Hasta La vista Baby. Pelo título a minha animação não poderia ser contida, porque tive certeza que a história era a respeito do Exterminador do Futuro. Bastava olhar um pouco a capa para perceber que não. No final não havia motivo para reclamações e tenho que dizer que a leitura foi divertida. Voltei para os livros muito tempo depois, mas isto é uma longa história relacionada a coxinhas.
A leitura só virou uma paixão graças ao menino Potter. Vi o primeiro filme em uma VHS (estou entregando a minha idade) e como não ficar encantado? Uma escola onde se ensina magia é tudo o que uma criança pode sonhar. Muito tempo depois de assistir o filme comprei o livro, e fui logo pensando " Deve ser igualzinho ao filme". Eu estava completamente enganado. Lembro exatamente da cena que me fez enxergar a leitura de forma diferente e nunca irei esquecê-la: No momento em que Noberto, um filhote de dragão, estava sendo levado em um carrinho, a minha mente sorriu ao mostrar tudo em detalhes para mim. "Essa cena não estava no filme!"- Quase gritei para mim mesmo. Como posso dizer...? Foi uma sensação "mágica"- Desculpe dizer o óbvio e recorrer a um clichê. Sei lá, naquele momento parecia que estava sendo contado um segredo para mim e é essa sensação que tento transmitir para o leitor com os meus textos.


4 - Como e quando começou a escrever? Em qual momento soube que queria seguir nessa carreira?        
Comecei da forma mais banal possível. Estava cursando Design, fui encarregado da parte escrita e fui percebendo que me sentia relaxado quando preenchia as folhas em branco. A faculdade terminou e um amigo foi direto ao ponto "Por que você não escreve um livro?". Cheio de ideias na cabeça, querendo imitar um monte de autores eu sentei na frente do computador e comecei a escrever o meu primeiro romance.
Existem diversos momentos que construíram essa certeza de estar no caminho certo. É fácil escolher qual deles, escolho o primeiro: Quando terminei o livro, senti aquela sensação de dever cumprido, senti que um universo e personagens estavam vivos não só na minha mente. É muito doido quando você lê o próprio livro e sabe cada segredo por trás dos personagens, das casas, dos castelos, das ruas, das paisagens, das frases, dos parágrafos e das palavras. Você sorri, torna-se um bobo e fica dizendo para si mesmo "Cada leitor viverá uma vida diferente neste meu livro". Sentir isso e contar isso a vocês me faz ter a certeza que estou seguindo a carreira certa.

5 - Para criar a personalidade de seus personagens, você se baseou em pessoas reais?    
A criação dos meus personagens não segue nenhum padrão específico. No inicio da construção não tento pensar em qual será o arco dele, o seu objetivo ou sua personalidade. Meus personagens sempre surgem de coisas pequenas. Por exemplo:
Uma frase brota na minha cabeça "O meu deus nunca morre!" 
Quem disse essa frase? Por que ele disse? O que aconteceu para ele dizer esta frase? De que maneira ele está dizendo esta frase?
Quem disse foi Viking. Ele disse logo depois de ver o seu deus ser derrotado e está dizendo com desprezo.
Para onde o personagem vai depois disso? Será que este é o final da trajetória do personagem?
As perguntas vão surgindo, a vontade de digitar vai crescendo e quando percebo o personagem já anda com as próprias pernas.
Esse mesmo exemplo funciona com diversos detalhes: Cabeça raspada, é manco, infiltrado em um navio, camisetão enorme cheio de bolsos e etc.
Agora, em relação a conflitos entre personagens, gosto de me basear na realidade. Quais são os conflitos que a minha família tem ou já teve? Quais foram os meus conflitos com amigos e colegas de trabalho? A sociedade atualmente está de qual maneira? Atualmente estou vivendo qual drama e como inseri-lo no mundo do meu livro e de que maneira os personagens irão lidar com ele?

6 - Quais são seus projetos, enquanto escritor, para um futuro próximo?
Ainda este ano espero vencer o concurso da Amazon com Os Cinco do Ciclo, quero que a minha obra alcance muitos leitores e desejo escrever muitos e muitos capítulos sobre os ciclos de Yosef. Também pretendo ter ideias para um romance infantojuvenil protagonizado por um adolescente chamado Davi.


 7 - Em sua opinião, qual é a maior dificuldade que um escritor nacional encontra em nosso mercado editorial nos dias de hoje? O que ainda precisa ser mudado?
Em resumo, o maior problema de um autor nacional é que não acreditam nele. As editoras cada vez mais só querem apostar no que é 100% certo. Entendo o lado delas, quando você tem uma grande empresa e é responsável por diversas pessoas é preciso diminuir os riscos. Porém, esta premissa não impede ninguém de ser criativo. Um autor nacional poderia ser lançado por uma grande editora em uma pequena tiragem ou até mesmo somente em formato digital. Ao comprar um box de um best-seller, ao atingir um numero X em compras você poderia ter o direito de escolher uma obra de um autor nacional sem custo nenhum. A comunicação está tão acessível a todos e mesmo assim falta criatividade. Esforços e desdobramentos são focados nos livros de youtubers (não tenho nada contra esses livros e eles dão um bom dinheiro para o mercado) e sinto que pouco é feito para se formar novos leitores, ainda mais leitores de literatura nacional. Quer lançar o livro do Felipe Neto, lança, mas porque não lançar um autor nacional junto e sendo apoiado por ele? Essas minhas ideias podem ser muito malucas, mas sinto que algo a mais pode ser feito.
E não adianta nada começar a incentivar a literatura nacional antes do número de leitores aumentar. O brasileiro ama a cultura Pop, hoje o termo "Vou fazer uma maratona de uma série" é algo comum. Por que uma pessoa fica três horas assistindo uma temporada e não lê uma página de um livro? Porque há incentivo. Canais discutem com interesse e paixão o que foi o filme de Star Wars e como será o próximo episódio de GOT e disso surge o interesse do público. Por qual motivo há interesse? Por que é legal? Sim, mas também porque há paixão do criador de conteúdo. Só o cinema, as séries e os jogos são legais e geram paixão? Os livros de Star Wars são piores que os filmes? A saga de Mistborn não é tão emocionante quanto o filme do Homem-Formiga? Consigo até imaginar a resposta daqueles com mais poder na internet "Isso não dá muita view. Falar de livro não dá muito dinheiro." Há menos de dez anos atrás falar de Batman e Homem-Aranha não dava um centavo e isso não impediu o Nerdcast, o Omelete o Cinema com Rapadura e outros grandes portais de surgir. É claro que não sou louco de pedir para que tudo seja mudado, entretanto, falta sim boa vontade com os livros e ela não surge porque hoje em dia o resultado sempre deve ser imediato. É tão difícil falar de um trailer de Star Wars e depois falar de um livro da mesma franquia? É tão difícil falar de It ou qualquer filme de terror e citar um livro do André Vianco ou Kalciferum? E o mais importante, o público controla tudo. Vocês podem pedir, vocês podem exigir ou até mesmo criar conteúdos com teorias sobre As Crônicas do Matador do Rei e discussões sobre o universo criado pelo Eduardo Spohr. Acredito nos livros e sei que em um futuro recente o número de leitores irá crescer e muito. Sorte daqueles que estão acreditando e divulgando eles agora.

8 - Qual é a sua opinião em relação à parceria entre blogueiros e autores?
Acho uma combinação perfeita. Cada vez mais os canais do YouTube (a maior mídia na internet) estão se padronizando e falando sobre o mesmo assunto e muitas vezes a mesma coisa. Sendo assim, uma parcela do público que deseja algo novo está recorrendo a canais pequenos, sites ou blogs. Ao ocorrer essa procura muitos podem se deparar com uma obra de um autor nacional, algo que dificilmente estaria em um grande veículo de internet. Quando essa magia acontece, o blog passa a ter um fã sempre querendo encontrar mais novidades e o blog por sua vez sempre abrirá a porta para autores iniciantes. Esse carinho com os autores parceiros e essa vontade de ser diferente acaba gerando identidade nos blogs e o resultado é ter um público consolidado e fiel.

9 - Deixe um conselho para quem deseja, assim como você, se tornar escritor?
Persistir. Não é preciso dizer mais que esta palavra, pois em muitos momentos você terá somente ela palavra para te confortar. É difícil, muitas vezes você achará o seu trabalho um lixo, em todos os cantos dirão que é preciso escrever todos os dias (eles estão certos!) e mais de uma vez você pensará em desistir. Se escrever é o que você ama e quer fazer disto sua vida, persista.

Cor preferida: Azul.

Autor (a) favorito (a): Não sou nenhum pouco fiel a somente um só escritor. Gosto de tantos, amo muitos e sempre estou a procura de um novo amor. Falo tudo isso, só que tenho sim as minhas preferências. A J.K. sempre terá um lugar no meu coração, Martin fez explodir a minha cabeça e sempre sinto necessidade de ler alguma coisa do Saramago. Mas é preciso fazer uma escolha, correto? Hoje o meu favorito e minha maior paixão é o Patrick Rothfuss.

Comida que mais gosta: Já ouvi umas conversas por aí que pizza não é considerado comida e sim fast-food. De qualquer forma nada me agrada mais que uma bela pizza. Só de escrever essa palavrinha com dois ZZ já dá vontade de comer uns três pedaços.

Maior defeito: Insegurança.

Maior qualidade: Sinceridade.

Uma citação: “Palavras são, na minha nada humilde opinião, nossa inesgotável fonte de magia. Capazes de formar grandes sofrimentos e também de remediá-los.” 


E aí, pessoal, o que acharam da entrevista? Em breve trago resenha e conto com a presença de todos vocês aqui. Para quem quiser um contato mais direto com o autor, vou deixar abaixo o link para as redes sociais dele. Vou ficando por aqui, um beijo no coração de todos e até a próxima! <3



2 comentários:

  1. Foi tão legal fazer a entrevista.

    As perguntas eram simples e diretas, e acabei até me empolgando. Senti que tanto a paixão quanto o profissionalismo em relação aos livros foram abordados. Todas questões me fizeram pensar e recorrer aos meus sentimentos e elas não eram carregadas de intenção. Percebi que a blogueira tem dentro de si bom humor, mas não tentou empurrar piadinhas a todo custo (vejo muito isso na internet hoje em dia)

    Agradeço pela parceria e por me apresentar para o seu público.
    Abraços e sucesso.

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  2. Oi Ingrid,
    Não sabia que vc tem a intenção de escrever um livro. Fico feliz em saber. Adorei a entrevista e espero ansioso pela resenha do livro. Amei a capa e as referências que o ator citou. Vou procurar pelo livro.
    Mês passado fui na Bienal e foquei mais atores nacionais. Foi uma experiência incrível!
    Beijos,
    André | Garotos Perdidos
    www.garotosperdidos.com

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